28 de jul de 2010

Hoje poderia ser um dia lindo de morrer...

Ali tão sempre perto e não me vendo...
É como um sabiá na janela que pede água e ninguém ouve, ou como o sonho que acabei de ter, que sempre tão racional esquece e não mais vê o outro amor que desperdiça.
Juro que ouvi um anjo ontem que me disse: 
Faça uma loucura, cometa um erro a seu favor!

Ali sinto tua alma...
Sinto e é fácil de gostar, mas disfarçamos com ridículas representações de desprezo, vez por outra.

É como reclamar do racional alheio e assim também ser, tememos. 
Essa é a parte que o anjo já entediado grita: Pare de ser tão incompetente, transpareça!

Que te tateia a pele...
Mãos, fina camada de gente, nosso lençol. É uma certa ousadia querer tocar as mãos do outro, mas ousadia é uma palavra bonita.

Absinto-me de ti...
Aceitemos a condição de pássaros com sede, que em silencio conta ao anjo: Não sei seguir conselhos.
E nossos já exaustos olhos, que esperam transparecer para brilhar, já não vêem amor no caminho que segue. 

Ultimada noite, cegos medrosos e ainda sem comunicação real.
É como um sabiá na janela, que pede água e ninguém ouve.

Imagem por Rosiane Diniz da minha janela :)

1 de fev de 2010

Quânticas cantigas...


Cada gota que seca, evapora entoando mantras aos céus
Aos pés que a areia abraça, além de caminhos, lhe sobra a tristeza vaidosa de ser mais uma raiz encravada, na terra que finda seu salto.


De todos os quereres, o maior que temos é o de extinguir a gravidade.
Ascender rapidamente, temendo o dia que o crescer puro eternamente criança, acabe. 
Queremos voar logo, expandir nossa humanidade, que crê que o horizonte lhe basta


Dessa dimensão que nos enquadra
ainda resta o tempo que não se conta
restam as luzes que não se enxerga
restam o fluidos de alma


Além das paredes, das ondas e redes
Dos cálculos, das fachadas e das sedes
Restam os fluidos de vida
Dos raios a íris e ao nada
resta ainda a vida que se proíbes


Rasgar os véus, é voar mais alto, com os pés abraçados pela areia, nós somos pássaros em mergulho...